Binance sofre ataque hacker estimado em US$ 5,5 bilhões, que pode ser o maior roubo de cripto da história

Corretora suspendeu saques e diz que fundos dos usuários estão seguros; Tether e Circle congelaram parte dos valores. Caso ocorre na véspera do prazo do Banco Central para corretoras no Brasil.

Notícia em desenvolvimento. As informações abaixo foram reunidas a partir da reportagem da Exame e podem mudar à medida que a Binance e outras empresas envolvidas divulgarem novos dados.

A Binance, maior corretora de criptomoedas do mundo, sofreu um ataque hacker nesta quinta-feira (29), com perda estimada em cerca de US$ 5,5 bilhões, segundo reportagem da Exame. O valor ainda não foi confirmado oficialmente, mas, se for, este será o maior roubo de criptoativos da história.

O que a Binance disse

Em nota publicada no X, a Binance afirmou que suas equipes estão cientes dos relatos de um possível incidente e que o caso está sendo investigado. A empresa diz que os fundos dos usuários estão completamente seguros e alertou os clientes para golpes e links não oficiais que costumam circular em momentos como este.

Enquanto investiga, a corretora tomou duas medidas:

  • Suspendeu os saques de criptomoedas, que serão retomados quando os problemas forem resolvidos.
  • Suspendeu temporariamente as negociações de Alpha, incluindo a compra instantânea de Alpha e a previsão de compra com saldo spot.

Changpeng Zhao, o CZ, fundador da Binance, afirmou que a empresa tem US$ 144 bilhões em ativos sob custódia.

Tether e Circle congelaram parte dos valores

Parte do dinheiro desviado estava em stablecoins, moedas digitais atreladas ao dólar cujas emissoras conseguem bloquear saldos. CZ agradeceu publicamente à Tether e à Circle por congelarem valores ligados ao ataque: segundo ele, cerca de US$ 971 milhões pela Tether e cerca de US$ 823 milhões pela Circle.

Os números, porém, não batem. O CEO da Tether, Paolo Ardoino, falou em US$ 1,567 bilhão congelado pela empresa, valor bem acima do citado por CZ. Até a última atualização da reportagem, a divergência não havia sido explicada.

O que foi levado

De acordo com o perfil Watcher.Guru, citado pela Exame, os ativos desviados se dividem assim:

  • US$ 1,57 bilhão em USDT;
  • US$ 1,45 bilhão em bitcoin;
  • US$ 875 milhões em ether;
  • US$ 823 milhões em USDC;
  • US$ 234 milhões em TRX;
  • US$ 88,75 milhões em RLUSD;
  • US$ 75 milhões em wrapped beacon ETH;
  • US$ 50 milhões em tether gold;
  • US$ 447,5 milhões em outras criptomoedas.

São estimativas de um perfil de terceiros, não da própria Binance, e devem ser lidas com cautela.

Um dia ruim para o setor

A Binance não foi o único alvo do dia. A Polymarket, plataforma de mercados preditivos, também foi hackeada nesta quinta-feira, com cerca de US$ 2,5 milhões desviados.

Até agora, o maior ataque registrado contra uma corretora era o da Bybit, em 2025, com US$ 1,5 bilhão levado e autoria atribuída a um grupo da Coreia do Norte. No mês passado, a Bitget perdeu US$ 351,6 milhões. Se a estimativa sobre a Binance se confirmar, o novo caso supera o da Bybit com folga.

O que muda para a Binance no Brasil

O ataque acontece num momento delicado para a operação brasileira. A Binance pediu ao Banco Central autorização para atuar como PSAV, sigla para prestadora de serviços de ativos virtuais. O prazo para pedir essa autorização termina nesta sexta-feira (30), e quem não for autorizado não poderá operar no país.

Os planos da empresa por aqui são ambiciosos. Thiago Sarandy, diretor-geral da Binance no Brasil, disse à Exame que a corretora quer ser uma “plataforma financeira completa” e “ter mais produtos do que qualquer instituição bancária”. Hoje ela oferece o Pay Pix e promete boletos, portabilidade, transferência internacional e câmbio.

Tenho conta na Binance. E agora?

Ataques desse porte costumam vir acompanhados de uma onda de golpes que se aproveitam do susto dos usuários. Algumas medidas simples ajudam a se proteger:

  • Não clique em links que não sejam oficiais, mesmo que pareçam vir da Binance. Acesse a plataforma digitando o endereço ou pelo aplicativo oficial.
  • Desconfie de mensagens pedindo seus dados, senhas, códigos ou chaves, seja por e-mail, SMS, WhatsApp ou redes sociais. Promessas de “reembolso” ou “recuperação de fundos” são uma isca comum.
  • Acompanhe apenas os canais oficiais da corretora para saber quando os saques voltarão e se há alguma ação necessária da sua parte.
  • Ative a autenticação em duas etapas (2FA), se ainda não tiver feito, de preferência com um aplicativo autenticador.

Este texto não é recomendação de investimento. Decisões sobre manter ou movimentar recursos devem levar em conta a sua situação e as informações oficiais divulgadas pela empresa.

Conclusão

Ainda faltam respostas importantes: o valor exato desviado, como os invasores conseguiram acesso e quanto poderá ser recuperado com os congelamentos feitos pela Tether e pela Circle. O que já está claro é que o caso, se confirmado, entra para a história como o maior roubo de criptoativos já registrado e chega na véspera de um prazo decisivo para a Binance no Brasil. O Neuralando seguirá acompanhando e atualizará esta matéria conforme surgirem novas informações.

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